O QUE EU PENSO NO PRIMEIRO DIA DO ANO, CONTEMPLANDO O MONTE FUJI.
(Texto escrito por mestre Hirokazu Kanazawa)
Encanta-me o monte Fuji.
Lembro-me com prazer, que no Verão subia o monte Fuji com os meus filhos. Também me lembro quando o primeiro dia do ano, olhava para ele da praia de Odawara, depois do primeiro treino com os meus alunos. Também gosto de contemplá-lo sozinho, por que a figura do monte Fuji sugere-me o caminho do karate e a vida.
Faço-vos uma pergunta que a mim me têm feito em várias ocasiões. Para que treinas Karate? Como respondeis? Acredito que existam várias respostas corretas como: treinamos "para fortalecermo-nos" ou "para obter bons resultados", etc... Mas quanto ao verdadeiro treino, a melhor resposta é que leva-nos à perfeição da personalidade.
Quando começamos a subir uma montanha, pensamos ser fácil. É quando tendemos a dizer coisas descorteses e portar-mo-nos como sabichões.
No entanto, à medida que subimos a montanha começamos a sofrer; quanto mais íngreme é o caminho, mais sofremos, até o ponto de chegar a arrenpendermo-nos de ter começado a subir a montanha.
É esta uma época na que vivemos imersos na dúvida acerca da nossa carreira, ou questionamos para quê viver, se realmente merece a pena viver.
Finalmente chegamos ao ápice. Maravilhosa paisagem! Nesse momento desaparecem os sofrimentos.
A descida é muito mais agradável. Já podemos caminhar alegremente, olhando para a bonita paisagem na que não tínhamos podido reparar até esse momento.
É então quando podemos olhar com carinho para aqueles que vêm subindo, ladeira acima. Neste longo espaço de tempo, desaparece a sensação de ira e de ódio sem que disso nos apercebamos, e inclusivamente chegamos a recordar com sossego e dulçura, aquelas sensações e eventos que antes nos resultaram duros.
Também podereis ter acesso ao destino final, ao cume, subindo pelo sopé da montanha. Neste caso, se bem não se sofre tanto, também não se sente a mesma alegria. Quem quiser gozar só da descida, não o conseguirá sem subir. Sempre, o importante está no caminho.
Desde que nascemos começamos a subir a montanha da vida, algumas vezes caindo e feríndo-nos. Quando já andamos de descida, lentamente, recebendo a luz do sol poente, quando sabemos de alegrias e de tristezas, chegamos a ser pessoas com dignidade, das que aflora uma luz brilhante como a prata. Este é o alpinismo que a um ser humano é-lhe permitido fazer só uma vez na vida!
Eu já cheguei a poder contemplar um pouco da bela paisagem em minha volta. Muitos de vós ainda não podeis...Acho que até aos 60 anos só há subida atrás de subida.
Vamos! Subam a montanha da vida de modo a que as pessoas digam que a vossa vida é uma obra de arte!
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